Apresentação



Refletir sobre a dinâmica dos projetos socioeconômicos de alcance global e as insurgências dos povos dos lugares que tencionam os processos de implementação destes, bem como constroem alternativas constitui o foco de trabalho do I Congresso em Desenvolvimento Social, que tem como temática norteadora dos debates: Globalização do Regional e Regionalização do Global.

A noção de globalização como intensificação dos fluxos econômicos entre empresas e países tornou-se amplamente difundida. Também os aspectos sociais e culturais, especialmente, as possibilidades de aumento do fosso da desigualdade no acesso à riqueza, além dos riscos da dominação cultural exercida por meio da circulação hegemônica dos símbolos do American Way of Life foram e são bastante debatidos.

Noutra perspectiva, emergem as abordagens que procuram enfatizar como tais fluxos globais são processados nos mais diversos locais onde tomam concretude. Isto é, de que maneira interfaceiam empreendimentos globais e povos do lugar. Por empreendimentos globais, não se deve compreender somente aqueles realizados por empresas transnacionais e programas e ações induzidos por outros países ou organismos multilaterais. São também políticas e programas públicos, investimentos privados, realizados sob a ótica do desenvolver os povos, a partir da incorporação de práticas socioeconômicas e culturais a priori consideradas a expressão do bem estar material.

Dessa maneira, o I Congresso em Desenvolvimento Social pretende ser um espaço de análise, reflexão e proposição sobre as sócio-dinâmicas globais e as insurgências locais, na perspectiva de contribuição para com uma abordagem interpretativa que incorpore a relação conflitiva dessas interfaces. Para tanto, o Congresso possui três eixos temáticos articuladores das mesas-redondas, grupos de trabalhos e comunicações coordenadas, a saber: a) Povos do lugar e sócio-dinâmicas globais; b) Insurgências universais e saberes locais; e c) Políticas Públicas: poder global e tensões locais.