Apresentação

Pensar “mobilidades” na contemporaneidade implica tentar compreender conceitos complexos. Todos os tipos de mobilidade são determinados por fatores diversos, não havendo apenas um elemento responsável por cada processo; portanto, para compreender as mobilidades é imprescindível dispor de uma análise conjuntural. No mundo globalizado, num momento em que as disparidades sociais se acentuam, desenvolvem-se diferentes formas de mobilidade, seja de indivíduos como de capitais, de informações e outras.
 
No caso da mobilidade de indivíduos, a análise pode corresponder à tentativa de captar a posição de uma pessoa dentro de uma estrutura social como, também, a trajetória social dela a partir de diferentes gerações. Ou, ainda, a mobilidade pode ser vista sob a perspectiva da migração (inter)nacional e como produto e produtora de um estágio de desenvolvimento. Pode-se considerar que o fato de a pessoa trasladar-se de um espaço social para outro pode ser movido pelos processos de reprodução e acumulação capitalista, por decisões individuais ou por medidas de governo, por exemplo. Na perspectiva de mobilidade dos indivíduos, ademais, não se pode deixar de focalizar a mobilidade intra-urbana, ou a imobilidade, como por exemplo, mediante o simples fato de conduzir um carro, de valer-se do transporte público ou de caminhar pela cidade.
 
Em se tratando da mobilidade de capitais, a partir de 1990 se identifica um crescimento do montante de capital movimentado para investimento entre diferentes países, quer sejam localizados a sul ou ao norte. Nesse contexto, é possível constatar defesas em torno da liberdade do movimento internacional consagrando-se, então, mercados mais abertos e competitivos. Contrariamente, diante da assimetria econômica existente entre países, identifica-se o argumento da necessidade de controle por parte dos governos nacionais, mediante taxação de impostos, por exemplo.

Em um cenário cada vez mais competitivo, os avanços tecnológicos têm permitido uma transmissão e circulação de informações em “tempo real”, aproximando os espaços sociais e constituindo-se em globalização do local e localização do global. Nesse sentido, configuram-se, virtual e concretamente, relações de “espaço-zero” e de “tempo-zero”. Ademais, a mobilidade de informações tem que ser analisada como resultado de uma geração e difusão tecnológica decorrente de um estágio do capitalismo que busca internacionalmente uma articulação produtiva global.

Em síntese, as mobilidades devem ser tratadas como fenômenos multifacetados, com diferenciadas dimensões nos níveis espacial, econômico, social, político e cultural. São fenômenos amplos e, por isso mesmo, possibilitam tanto análises focadas em movimentos específicos, como aquelas que tentam apreender o significado de processos de mudança social, que geram novas formas de organização social.

Partindo dessa visão, a realização deste evento constitui um momento impar, ao propiciar reflexões e debates que possibilitem correlacionar o desenvolvimento e as diferentes formas de mobilidade.