Apresentação

Desde o final da Segunda Guerra Mundial muitas experiências têm produzido teorias sobre o desenvolvimento e, concomitantemente, testado a (in)validação dos projetos que o tem como finalidade. Nessa perspectiva, não faltam experiências e muitos menos definições em torno do desenvolvimento. Como sinalizam alguns estudos, tal conceito tende a variar conforme o lugar que as pessoas ocupam, quer estejam na condição daqueles que propõem os projetos de desenvolvimento quer se beneficiem deles. Ainda que agregando condições sociais diferentes, em linhas gerais tais projetos evocam a superação da pobreza e a necessidade de melhoria das condições de vida. 

Entretanto, análises realizadas têm demonstrado que o desenvolvimento tem sido associado a um leque de perspectivas semânticas sinônimas, opostas ou, até mesmo, contraditórias. São-lhes atribuídas, por exemplo, os adjetivos de econômico, humano, social, autônomo, sustentável... Nesse conjunto, vale ressaltar que se verifica também uma tendência a tratar o desenvolvimento econômico como sinônimo de desenvolvimento social.

Todavia, o que é desenvolvimento? Qual é a sua relação com a(s) idéia(s) de progresso? Qual a perspectiva histórica de aparecimento do(s) seu(s) conceito(s) ao longo da segunda metade do século XX?

Praticamente desde os seus primeiros usos, e especialmente a partir da década de 1960 através da United States Agency for International Development - USAID, os projetos advindos de agências (inter)nacionais de desenvolvimento têm considerado a escolaridade como a principal variável. Ou seja, através do lema educação para o desenvolvimento tem sido estabelecida uma vinculação direta entre escolaridade, emprego e desenvolvimento.

Todavia, o que é educação? Qual a perspectiva histórica de aparecimento da relação entre desenvolvimento e educação? Qual desenvolvimento a educação pode proporcionar? Qual é o papel educativo das redes sociais?

Dessa maneira, o II Congresso em Desenvolvimento Social e o II Seminário Norte-Mineiro de Ensino e Pesquisa em História da Educação pretendem ser um espaço de análise, reflexão e proposição para identificar alguns processos históricos de constituição de teorias e projetos em torno do desenvolvimento bem como em torno da educação, sem deixar de identificar abordagens interpretativas que incorporem algumas relações conflitivas de suas interfaces. Para tanto, o Congresso possui três eixos temáticos articuladores das mesas-redondas, grupos de trabalhos e comunicações coordenadas, a saber: a) Desenvolvimento em uma perspectiva histórica; b) Desenvolvimento e educação em uma perspectiva histórica; e c) Tecendo as redes: movimentos sociais e desenvolvimento.