A PRIVATIZAÇÃO DA RFFSA E SEUS REFLEXOS NO NORTE DE MINAS GERAIS: A RETIRADA DO TREM DE PASSAGEIROS

Maria Natividade Maia e Almeida

O processo de privatização desencadeado no Brasil nos anos 1990 perpassou pelas áreas de oferta de bens e serviços pelo Estado, que naquele momento procurava seguir uma linha econômica e política internacional que assinalava para um Estado mínimo e que se detivesse em áreas determinadas como essenciais ao aporte da população, como educação e saúde. A privatização do setor de transporte dentro deste programa do governo brasileiro, do então presidente Fernando Henrique Cardoso, era inevitável e se tornou um fato real com a efetivação do leilão da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima –RFFSA – dividida em ramais e concedidos a empresas privadas para sua exploração por tempo determinado do transporte de cargas, sendo o transporte de passageiros alienado por período determinado. A partir desta nova conjuntura em setembro de 1996 ocorre a última viagem do trem de passageiros no Norte de Minas gerais, no chamado trem baiano, partindo de Montes Claros até Monte Azul, percorrendo como sempre o fazia, os 239 km entre as duas cidades parando nas várias estações e pé de estribos. A alienação do transporte de passageiros pela ferrovia atingiu os grandes centros do Brasil, mas também e fortemente as várias localidades situadas as margens da estrada de ferro no Norte de Minas Gerais e que passaram por um momento de grande mudança em sua organização econômica, social e produtiva. Este momento foi registrado em crônicas, matérias jornalísticas, fotografias e também na vivencia dos morados desta região que trazem em suas vidas a marca desta relação com a história do trem de passageiros. Este processo de privatização do setor de transporte ferroviário no Brasil e desativação da Linha de passageiros do trem de ferro causaram impactos culturais e sócio-econômicos as diversas localidades.


 

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