CERRADO INSUSTENTÁVEL: UMA PREMISSA PARA OS PROBLEMAS URBANOS E SOCIOAMBIENTAIS NO NORTE DE MINAS

Matheus Oliveira Versiani
Marina Carneiro

Se destacando como a segunda maior formação vegetal brasileira e com predominância sobre 57% do estado de Minas Gerais, se torna de extrema importância os estudos que analisam a correlação deste bioma com o desenvolvimento urbano, social e ambiental.
É sabido que, no período que antecede a Revolução Verde, o Cerrado era visto como uma região improdutiva, uma vez que as suas características naturais eram desfavoráveis no que tange a grande produção agrícola. Ao longo deste período, mantinham-se nessa região pequenos produtores, principalmente no norte de Minas Gerais, sob um modelo de subsistência. O excedente produzido era comercializado em pequenas feiras ou mercados municipais nas cidades ou vilarejos próximos. Entretanto, no final dos anos 60 o grande avanço de pesquisas nas áreas químicas, mecânicas, e genéticas além do avanço no setor industrial agrícola, levou-se a uma nova percepção desse bioma. O Cerrado passou a desempenhar altos índices de produtividade agrícola por meio da substituição dos modelos tradicionais por um conjunto de práticas tecnológicas.
O Estado iniciou uma ação estratégica no sentido de desenvolver a agricultura moderna de base empresarial com suporte para a competitividade internacional. A partir deste fato é notória a expansão continua das fronteiras agrícolas no Cerrado norte mineiro. Tudo isto foi executado de uma forma excludente e insustentável, ou seja, não foram levadas em conta as comunidades rurais que ali habitavam, a biodiversidade do bioma, os impactos ambientais causados pela mecanização e os problemas urbanos que viriam sucessivamente. Isto, partindo da premissa que a maior parte dos produtores familiares foi e continua sendo marginalizados por não serem contemplados pelos benefícios governamentais. Sendo assim, foram todos obrigados a migrarem para os centros urbanos com falsa idéia de uma melhor qualidade de vida e fácil inserção no mercado de trabalho.
A partir desse prisma pode-se conceber a essas práticas insustentáveis e a essa legislação ineficiente a responsabilidade pelos problemas urbanos e socioambientais enfrentados, nos últimos anos, pela população do norte de minas Gerais. Dentre eles vale ressaltar: o inchaço urbano, o aumento de moradias irregulares, a violência, o desemprego, aumento nos preços dos alimentos, contaminação dos solos e das águas, desmatamento, diminuição da fauna e flora e muito mais. Para que haja a inversão deste quadro caótico é preciso que se tenha uma conscientização por parte da população e do governo publico para que, assim, possam ser implantados métodos e técnicas sustentáveis que viabilizem a fixação do homem em suas propriedades rurais e que tenha o mesmo, ou até mais, desenvolvimento para a economia do país como se sabe, através de estudos científicos e modelos internacionais, que é possivelmente eficaz.


 

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