LAZER E ASSISTÊNCIA SOCIAL: UM DIÁLOGO PERTINENTE E POSSÍVEL

Fernanda Pereira Lessa
Georgino Jorge de Souza Neto
Bruna Abreu dos Santos

Este artigo tenciona discutir as possíveis articulações tecidas entre as experiências de lazer e o campo da assistência social. Neste sentido, partimos do pressuposto da importância atribuída às vivências no tempo disponível dos sujeitos, e de como estas podem se instrumentalizar em estratégias de intervenções no rol das políticas públicas de assistência social. Quanto aos valores associados ao lazer, percebemos que estes podem estar relacionados a interesses como o descanso e o divertimento, mas primordialmente à possibilidade fecunda de formação e desenvolvimento dos indivíduos nas ações estabelecidas no tempo deslocado das obrigações. Assim, a assistência social pode se apropriar desta lógica, formatando a sua operacionalização no seio do desenvolvimento de práticas que possam contribuir para a geração de uma educação para o lazer dos seus usuários, propiciando autonomia pessoal e maior capacidade crítica. Não cremos que a assistência social deva se pautar apenas no chamado assistencialismo automatizado. Portanto, a simples oferta de alimentos e/ou cobertores não basta. Pensar no desenvolvimento cultural dos sujeitos atendidos num plano de assistência social deve fazer parte de uma política que seja minimamente superior às práticas tradicionalmente vinculadas a este campo. A Assistência Social institucionalizou a Política Nacional de Assistência Social-PNAS com foco no Sistema Único de Assistência Social-SUAS, política publica que garante os direitos e deveres da população em geral, sobretudo aqueles que se encontram em estado de vulnerabilidade e risco social. Esta política veio para garantir os direitos sociais básicos, incluindo o direito ao lazer e a cultura. Podemos salientar alguns programas sociais que buscam atender na sua totalidade o direito ao lazer e cultura, como o Projovem Adolescente e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil-PETI. Estes programas de política pública assistencial institucionalizados podem (e devem) se articular com os mais variados conteúdos culturais do lazer, como o físico (práticas esportivas e corporais); intelectuais (leituras e oferecimento de cursos); artísticos (potencialização da sensibilidade artística, ligado à aprendizagem de instrumentos musicais e ao desenvolvimento da questão estética, criativa e imaginativa); turística (oferecendo o conhecimento de outros lugares e espaços); social (promovendo o contato entre os sujeitos e incentivando a interação entre eles); e por fim, o interesse manual nas práticas de lazer, vinculado ao incremento da manipulação de objetos, através da jardinagem e/ou artesanato, por exemplo. Finalmente, acreditamos que a adoção e valorização de uma educação para o lazer nas políticas de assistência social pode contribuir sobremaneira para o forjamento de uma sociedade mais desenvolvida, a partir da noção de uma maior apropriação de valores fundamentais para o crescimento pessoal e, por conseguinte, também social.


 

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