Apresentação

A conjuntura internacional aponta mudanças na posição dos países emergentes frente à economia política mundial. Parte significativa dos países europeus e também os Estados Unidos passam por uma crise econômica e social poucas vezes vista na contemporaneidade. A exclusão social e a miséria continuam sendo uma marca do continente africano e de parte significativa da América Latina.

O crescimento econômico em conjunto com políticas públicas de transferência de renda está proporcionando a retirada de milhões de brasileiros da pobreza. No entanto, o crescimento econômico continua desigual e excludente. Com um agravante, a adesão ao mercado de consumo pode arrefecer a luta contra as desigualdades sociais e os direitos humanos em geral, principalmente das minorias secularmente violentadas no país.

A condição de país emergente com sólido crescimento econômico pode escamotear o maior problema social do Brasil, ou seja, as desigualdades sociais e as suas conseqüências. A ampliação de mercado consumidor para extratos sociais antes excluídos pode levar à ilusão de que todos os nossos problemas sociais estão na eminência de serem resolvidos. Neste início de milênio não se sustenta mais o discurso do desenvolvimento como panacéia para os problemas sociais. Já obtivemos taxas recordes de crescimento econômico em nossa história recente, no entanto, nossos problemas sociais só aumentaram.

Hoje, algumas décadas depois, temos que discutir exaustivamente nosso modelo de desenvolvimento. A continuidade do desenvolvimento focado na economia é suficiente? As transferências de renda, a recuperação gradativa do valor real do salário mínimo são medidas sustentáveis a médio e longo prazo? O endividamento crescente das camadas populares é um fenômeno momentâneo ou pode se constituir em uma crise social?   

O agronegócio, responsável por parte significativa do nosso superávit no comercio internacional, avança em decorrência da contínua migração rural, do extermínio da cultura das comunidades tradicionais do campo e em especial da degradação do meio ambiente. A crescente demanda internacional por alimentos está forçando a ampliação das fronteiras agropecuárias em direção a Amazônia, ao pantanal e ao cerrado em especial.

O desenvolvimento econômico no país ainda está centrado na extração mineral, na agricultura e outras formas de atuação nocivas ao meio ambiente. Produzir bem estar para um número cada vez maior de pessoas sem comprometer o bem estar das gerações futuras é um dos maiores desafios para o Brasil. É possível redefinir a estrutura do Estado brasileiro rompendo com os históricos privilégios de grupos protegidos pelo Estado e redirecioná-lo para uma democracia de fato?

Estas são algumas indagações que estarão presentes durantes os debates e apresentações de resultados de pesquisas em nosso III Congresso em Desenvolvimento Social em Montes Claros, Minas Gerais-Brasil, em 2012.